A saída de Nuno Gomes do Benfica colocou fim a uma ligação de 12 anos de àguia ao peito. No total fez 166 golos e conquistou sete títulos com a camisola 21 do Benfica, entre eles dois campeonatos nacionais. Para muitos adeptos, Nuno Gomes foi um grande jogador do clube, um símbolo, talvez o mais popular da última década, para outros apenas um produto de marketing bem trabalhado. Na verdade, Nuno Gomes, viveu de tudo nesta longa passagem pelo Benfica. Atravessou a pior fase desportiva e financeira da historia do clube nos finais dos anos 90, como também contribuiu em grandes jornadas nacionais e internacionais.
Talvez a saída de Nuno Gomes tenha surpreendido boa parte, mas para os mais atentos, o capitão deixara de ser opção desde a chegada de Jorge Jesus. Ao longo das últimas duas épocas, J.J. utilizou Nuno Gomes em 21 jogos (2009/2010), mas somente cinco como titular. No total, acomulou, 492 minutos - equivalente a pouco mais de cinco jogos completos - e quatro golos.
Já na última temporada (2010/2011), o aproveitamento foi ainda menor: 12 jogos, sempre como suplente, e apenas 75 minutos em campo. O número de golos assinalados, curiosamente, foi ainda maior (cinco). Uma interessante média de um golo a cada 15 minutos. Apesar disso, Jorge Jesus e o Benfica pretendiam que Nuno Gomes passasse a dirigente. O jogador, por sua vez, queria dar sequência à carreira e, provavelmente, pendurar as botas no final de 2012. O Benfica, então, não renovou o seu contrato, e o avançado rumou a Braga.
O adeus de Nuno Gomes marca o fim de uma ligação iniciada em 1997, quando o jogador, foi transferido do Boavista - onde iniciou a carreira profissional e conquistou a Taça de Portugal contra o própro Benfica - para rumar à Luz. Foram três épocas brilhantes, ainda que sem qualquer título, com 76 golos em 124 partidas. O sucesso levou-o à selecção portuguesa e abriu-lhe portas para uma transferência (13 milhões de euros) para o futebol italiano para representar a Fiorentina. Dois anos volvidos, regressa ao Benfica devido à falência do clube de Florença.
O regresso à Luz foi também a oportunidade de conquistar o que faltou na sua primeira passagem: títulos. Venceu a Taça de Portugal em 2004 e a Liga Portuguesa em 2005, além da Supertaça, também no mesmo ano. Homem de muitos golos, Nuno Gomes infelizmente nunca venceu o troféu de melhor marcador da Liga, muito também por culpa de algumas lesões em fases importantes da época.
A importância de Nuno Gomes na equipa foi recompensada em 2007, ao receber a braçadeira de capitão, então pertencente a Rui Costa. Apesar disso, anualmente, o Benfica trazia novos reforços para a linha avançada, e em muitos casos, foi Nuno Gomes o "sacrificado" para ir ao banco. À medida que a temporada decorria, porém, lá estava o "eterno" novamente no onze. Mantorras, Reyes, David Suazo e Miccoli estiveram entre os "concorrentes" que, em dado momento, viram o seu espaço reocupado pelo camisola 21.
No entanto, quando chegou Jorge Jesus e Saviola, as coisas mudaram. O argentino assumiu dupla com Oscar Cardozo - este o primeiro a "vencer" a concorrência de Nuno Gomes - e o atacante de 34 anos acabou relegado para suplente. Além disso, vieram mais quatro avançados (Kardec, Weldon, Eder Luís e Keirrison) para ampliar a concorrência. A incontestável conquista do título com a dupla sul-americana na frente de ataque e as regulares presenças de Éder Luís e Kardec foram o primeiro sinal que o futuro de Nuno Gomes estava ameaçado na Luz.
O segundo sinal foi justamente o facto de Cardozo ter feito uma época 2010/2011 medíocre e Saviola ter tido um desempenho muito inferior ao da temporada anterior. Kardec, foi outro que não correspondeu, e o recém-chegado Franco Jara acabou como 12º jogador da equipa. Nuno Gomes, mesmo com sua experiência e eficiência quando esteve em campo (golos marcados), foi ainda menos requesitado, o que aumentou a especulação de que os seus dias na Luz estariam contados.
De facto, Nuno Gomes já não é o mesmo de há quatro anos atrás. Ainda tem qualidade de passe e posicionamento. Mas a sua reacção e velocidade estão bem mais reduzidas. É também verdade que Nuno Gomes podia eventualmente permancecer no plantel, principalmente pela importância e consenso que gerava entre os seus companheiros. Porém, é até compreensível que o Benfica o tenha dispensado em vez de ter um jogador mais um ano sem jogar. Fica a ganhar Nuno Gomes, que terá oportunidade de faze-lo em Braga, e o Benfica, que num futuro próximo o fará certamente regressar para assumir outras funções.
No Sporting de Braga, o seu próximo destino, Nuno Gomes deverá fazer dupla com Lima e ter fornecedores como Alan e Paulo César, no que promete ser um dos ataques mais temíveis da Liga Portuguesa. Independente disso, os adeptos e fãns terão, em 2011/2012, a provável última oportunidade de ver um dos ídolos do futebol português dos últimos 14 anos.
Nuno Gomes
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