Análise ao Mercado de Transferências em Portugal 2013-2014

02 setembro, 2013


O mercado do verão de 2013 vai ficar na história como o mercado de todos os recordes: o da maior transferência mundial de sempre (Gareth Bale) e o da maior despesa alguma vez suportada pelos clubes da Premier League. Quem tem seguido as conclusões da FIFA à luz dos dados registados através do TMS (Transfer Matching System) não ficará surpreendido com o peso que os negócios entre clubes (compras) têm no bolo global das transferências.

À escala mundial, essa fatia corresponde a cerca de 10 por cento, valor de referência que este mercado conseguiu superar. Ainda assim, é notória a dependência dos clubes portugueses por negócios que não envolvem qualquer compensação financeira. Quem mudou de equipa fê-lo sobretudo através de um empréstimo (43%), ou porque viu chegar ao fim a ligação que tinha a outro clube (14%). Mais residual foi a promoção de juniores ou de jogadores que pertenciam a plantéis B (12%), sendo que a aposta em activos regressados de cedências a outros emblemas também não tem uma dimensão significativa.

Com Inglaterra, Itália, Espanha, França e Alemanha a movimentarem um recorde de dois mil milhões de euros, segundo dados revelados pelo CIES (Centro Internacional de Estudos do Desporto), a subida de 22 milhões na folha de investimentos dos clubes portugueses até pareceria uma brincadeira de meninos se não representasse, comparativamente com o mercado do ano passado, um salto de 44 por cento.

É certo que o crescimento apanha a boleia despesista dos grandes, cujo peso é verdadeiramente inusitado, mesmo na comparação com a influência relativa dos maiores clubes dos grandes campeonatos – em Inglaterra, os três principais compradores só representam 45 por cento do total dos gastos - mas a verdade é que esta janela de transferências apresentou sinais de retoma importantes: a mais dinheiro investido corresponderam também mais reforços por equipa e mais movimentações no mercado interno, ainda que a percentagem de estrangeiros também tenha conhecido um ligeiro acréscimo.

De acordo com os dados do site Transfermarkt, o futebol de primeira em Portugal gastou 72 milhões de euros em contratações de jogadores (foram 50 há um ano), sendo que os três grandes assumem 94,3 por cento desse investimento. Benfica, FC Porto e Sporting gastam, mas os outros também recebem, já que entre os 140,5 milhões de euros encaixados por clubes da Primeira Liga Zon/Sagres em transferências, 15 por cento ficaram entre os 13 clubes que não os totalistas de presenças. Aliás, a balança das receitas caiu na medida em que o Benfica viu baixar as suas vendas, já que os 60 milhões em falta comparativamente com o exercício passado correspondem a transferências que os responsáveis do Benfica optaram por não fazer.

Analisando as 202 operações que efectivamente reforçaram, no imediato, os plantéis principais das 16 equipas do campeonato português, é de notar que a média de aquisições por equipa subiu, de 12 jogadores na época passada para os 12,6 jogadores desta janela de transferências. Mais reforços, mais dinheiro movimentado e mais trocas no mercado interno, apesar de os jogadores estrangeiros representarem 56 por cento das mexidas.

É de notar, porém, que as aquisições no Brasil (22) representem agora pouco mais de dez por cento do volume total de negócios, número verdadeiramente impensáveis se recordarmos que, segundo os dados da FIFA para 2012, o fluxo entre aquele país e Portugal foi o maior do mundo, com 145 movimentos registados (incluindo divisões inferiores). Também digno de realce é o facto de Portugal ter passado a importar mais do que exporta na sua relação com campeonatos como o espanhol e o italiano.

Existem também clubes em Portugal que só contrataram por empréstimo ou jogadores livres e se as internacionalizações servirem para certificar um reforço, então apenas 16,8 por cento das aquisições preenchem esse requisito. Aliás, é também altamente discutível que futebolistas provenientes da Tailândia, de Moçambique, da China ou da Coreia do Sul representem um contributo para a subida do nível do nosso campeonato, enriquecido nesta janela com jogadores de 38 nacionalidades e onde os sérvios, sobretudo à boleia do Benfica, constituem já a terceira força, adiantando-se a argentinos, colombianos ou uruguaios.

Será precipitado antecipar com que campeonato ficamos depois deste mercado, mas se a quantidade se repercutir em qualidade, é seguro que o nível da Primeira Liga (Zon Sagres) está a aumentar. 10% é o o que valem os 72 milhões de euros gastos pelas equipas portuguesas, se colocados em perspectiva com o recorde do mercado da Liga Inglesa. A Premier League bateu o recorde e gastou 719 milhões em contratações nesta janela de transferências. O Benfica e FC Porto valem quase 92 por cento do dinheiro gasto por clubes portugueses. Em Espanha, a famosa Liga a dois só tem 63,3 por cento das compras assumidas entre FC Barcelona e Real Madrid.

Mercado de transferência em Portugal 2013/2014

1ª Benfica - 35,9 milhões de euros
2ª FC Porto - 30,5 milhões de euros
3ª Sporting - 1,5 milhões de euros
4ª Todos os restantes 13 clubes - 4,1 milhões de euros

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1 comentários:

Guilherme disse...

Também estou de acordo que este ano as entradas de jogadores na liga portuguesa foram mais criteriosas, salvo exceção no Benfica que abusou na contratação de naturais de um país.

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