Perspectivar o novo Sporting 2011/2012

27 junho, 2011


De cara lavada, o Sporting parece querer finalmente demonstrar que está pronto para acordar da longa depressão das últimas duas épocas. Dois anos negros que pintaram os piores resultados desportivos da história do clube leonino. Para já, ainda não existe pontos ou competições para disputar, mas a forma enérgica como o Sporting se apresentou no mercado de transferências pode pelo menos fazer renascer a velha máxima do antigo líder sportinguista Sousa Cintra - "este ano é que é".

Depois de José Eduardo Bettencourt ter abandonado precocemente o projecto presidencial, em Janeiro último, e de ter falhado redondamente em todas as àreas, o Sporting atravessou um intenso período eleitoral culminando com a eleição de Godinho Lopes, no final de Março. No discurso de vitória, prometeu a contratação de nomes fortes e de um treinador português, jovem e ambicioso. Quatro meses depois, não se pode dizer que os Leões não estão a trabalhar, ainda que os efeitos dessa "movimentação" sejam uma incógnita.

De Maio até agora, passaram cerca de dois meses, e de lá para cá, chegaram 14 novos reforços, além do regresso dos vários emprestados e da promoção de alguns juniores. Dos nomes vindos a público na altura das eleições, é verdade que apenas Domingos Paciência (treinador) e o defesa peruano Rodríguez (Sp. Braga) são parte das promessas ao sócios. Segundo o presidente Godinho Lopes, cerca de 20 milhões de euros - o orçamento previsto era de 30 milhões - já foram investidos em reforços. Ao mesmo tempo, outros jogadores foram dispensados, para aliviar a folha de salários. Entre os nomes já contratados, várias surpresas (algumas até positivas, outras passíveis de observação e, claro, jogadores que inicialmente soam como desnecessários).

Na baliza está o nome que, num primeiro momento, soa inexplicável. O Sporting já tinha três guarda-redes e parecia decidido a manter Rui Patrício, Tiago e Vítor Golas. Eis que chega, do Marítimo, Marcelo Boeck. Em tese, para ser o suplente directo de Rui Patrício, mais ou menos nos moldes da chegada de Hildebrand no último ano.

No sector defensivo, considerado um dos mais delicados da equipa, ganhou uma variedade interessante de opções. Na defesa, além de Rodriguez, chegou o norte-americano Oguchi Onyewu (Milan) e o jovem colombiano Santiago Arias. Em princípio, o peruano e Onyewu devem render Anderson Polga e Daniel Carriço e formar uma dupla mais forte do ponto de vista físico. Nas laterais, há o ingresso de João Gonçalves (emprestado ao Olhanense) para a direita e a chegada do francês Atila Turan do Grenoble de França.

No meio-campo, existem muitos reforços mas que na maioria soam mais como apostas do que efectivamente certezas. O mais conhecido do adeptos portugueses é Luís Aguiar, que estava no Peñarol e que teve uma boa passagem pelo Braga. Stijn Schaars, oriundo do AZ ALkmaar, foi capitão do clube holandês, destacou-se no campeonato que valeu o título (Eredivisie) em 2008/2009 e esteve no último campeonato do Mundo. Tem características de liderança e organização de jogo que estavam em falta em Alvalade, mas necessitará de adaptação ao ritmo do futebol português, já que passou toda a carreira na Holanda. De Espanha, e concretamente do Sevilha chega Diego Capel, o espanhol de 23 anos é um extremo-esquerdo de boa qualidade e que vai garantir maior largura no ataque através da sua verticalidade e velocidade.

Mas ambos terão concorrência difícil, já que o russo Izmailov, enfim, parece recuperado das lesões sistemáticas e polémicas que tem marcado a sua passagem pelo Sporting e, que em condições normais, é um natural titular. Além disso, permanece no plantel o irregular, mas reconhecidamente bom jogador chileno Matías Fernandez, provável concorrente de Luis Aguiar e Schaars, caso a equipa jogue com três homens no meio-campo com apenas um a ligar o sector ofensivo.

Já Fabián Rinaudo é um médio-defensivo que apesar de ter descido com o Gimnasia La Plata para a segunda divisão argentina, era o grande nome da equipa, chegado a ser mesmo convocado para a Albiceleste. Deverá fazer dupla com André Santos, uma vez que o sector de médios defensivos foi o que sofreu mais perdas, com as rescisões de Zapater, Maniche e Pedro Mendes. Esta última, aliás, talvez a dispensa mais inexplicável, vista a experiência do internacional português e o rendimento dele ser proporcionalmente melhor que grande parte da equipa.


Na frente de ataque, "sobreviveram" Hélder Postiga e Yannick Djaló. Mas a dupla da casa terá séria concorrência. O nome mais forte é o búlgaro Valeri Bojinov, ex-jogador do Parma e com larga experiência no futebol italiano. Ricky van Wolfswinkel, ex-Utrecht, foi um dos principais goleadores da Liga Holandesa (Eredivisie) passada e tem a seu favor a capacidade de jogar também a 10. Já o peruano André Carrillo, grande esperança do futebol daquele país, desponta como "rookie" do ataque. Sabe actuar em ambos os lados do ataque, o que lhe pode ser um diferencial. Também bastante jovem (18 anos), o promissor avançado chileno, Diego Rubio, chegou do Colo Colo. Diego Rubio é apontado como uma das grandes promessas chilenas da actualidade e destacou-se nos últimos meses com vários golos.

Em relação aos empréstimos, o Sporting cedeu Diogo Salomão, uma boa surpresa de 2010/2011, ao Deportivo. Também poderia tranquilamente disputar a posição entre os selecionáveis leoninos. Porém, a oportunidade em Espanha e a responsabilidade de ajudar o histórico clube da Corunha em regressar à elite pode ajudar-lhe a amadurecer.

Mas as grandes perspectivas estão mesmo no banco, com a chegada de Domingos Paciência para treinador. As credencias são as melhores, e até por isso, entende-se que o grupo com o qual contará tenha alguns de seus jogadores mais importantes da época no Sp. Braga, como os "antigos" João Pereira e Evaldo e os "novatos" Rodriguez e Luis Aguiar.

Domingos Paciência já demostrou ser um treinador competente, algo que tem faltado ao Sporting nos últimos anos, e terá um grupo tecnicamente superior ao do Braga para trabalhar, ainda que tenha que organizar e planear toda uma nova estrutura. Se em Braga, a pressão de resultados não é comparável aos três "grandes", sabe-se que, em Alvalade, o tempo e a margem de erro serão curtas.

Em conclusão, o Sporting depois de um longo tempo de hibernação iniciará a época 2011/2012 com alguma perspectiva. A possibilidade mais palpável de regressar à Liga dos Campeões, derivado a Portugal dispôr no próximo ano três vagas na Champions, é hoje foco principal do clube - ainda que o discurso seja o de lutar pelo título, actualmente ainda inviável, visto que FC Porto e Benfica tem equipas mais fortes em teoria. De qualquer forma, a intensa movimentação sportinguista neste defeso 2011/2012 é, já, uma boa surpresa para a época que está prestes a começar.

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