Liga Inglesa: Manchester City - O Dinheiro comprou a Felicidade

09 junho, 2012


A edição 2011/2012 da Liga Inglesa posso dizer, foi um pouco como avaliar as colheitas dos vinhos, e a época que terminou, apesar de um novo campeão, Manchester City, não foi dos melhores campeonatos dos últimos anos, por várias razões. O final, esse foi épico, sem dúvida, mas faltou alguma qualidade e regularidade especialmente de equipas consagradas como o Manchester United, Chelsea, Arsenal, Liverpool e o próprio Tottenham que a certa altura do ano parecia ter condições para chegar ao topo.

Foi uma época de altos constrastes, de goleadas históricas, seguidas de derrotas bizarras, de campeões quase pré-anunciados e deslizes imperdoáveis, foi assim que a cidade de Manchester viveu ao longo das 38 jornadas a rivalidade dos seus dois maiores representantes. Já as equipas de Londres, foi um fracasso total, especialmente o Chelsea que bem cedo ficou arredado da luta, e, em Liverpool, nem chegaram a carburar.

Na verdade, é que na memória de quem acompanhou a Premier League será a decisiva jornada 38 que perdurará para sempre no albúm de recordações, especialmente pelos adeptos do Manchester City, pela forma como reconquistaram a Inglaterra após 44 anos em pouco mais de três minutos para além dos 90 regulamentares. Um final que ajuda a explicar uma equipa que parecia esmagar a concorrência durante a primeira volta, mas que chegou a "desligar" ao longo da época.


O aproveitamento em casa, foi de longe, o grande diferencial no desempenho dos Citizens. O Man City teve o melhor desempenho caseiro da história da Premier League, com aproveitamento de 96,4% dos pontos. Em casa, o ataque facturou sempre, com média de 2,89 golos por jogo. E a defesa apenas sofreu golos em sete jogos.

A primeira volta foi brilhante, dinheiro investido pelo sheik parecia finalmente dar os seus frutos, mas por altura do Boxing Day boa parte (menos David Silva) dos craques baixaram consideravelmente as suas exibições em campo. Não foi suficiente para conquistar a Liga Inglesa com boa margem e, em março, tiveram mesmo o título em sério risco. Contudo, surgiram seis vitórias nas últimas seis jornadas, quando Tevez, Agüero, Yaya Touré e Kompany assumiram finalmente o destaque na equipa. Por fim, contra o Queens Park Rangers, a insistência era enorme – foram 44 finalizações, 14 delas para a baliza.

O sistema defensivo do Manchester City funcionou bem ao longo da época, algo comprovado pelos números, sendo a que menos sofreu em Inglaterra e Top 5 dentro das principais ligas Europeias. Yaya Touré e Gareth Barry foram líderes na zona defensiva. O belga Kompany não foi perfeito durante todo o ano, mas foi o melhor na sua posição, e Lescott, deslizes à parte, manteve a regularidade durante boa parte do tempo. Nas laterais Clichy demonstrou uma tremenda evolução, enquanto Zabaleta, independentemente do golo contra o QPR, fez óptimas partidas na recta final. E, quando a situação apertava, aparecia Joe Hart na baliza. O guarda-redes, aliás, é um dos únicos remanescentes do período “pré-sheik”, ao lado de Micah Richards.

As vitórias sobre o Manchester United foram um capítulo à parte na conquista do Manchester City. O primeiro jogo serviu para mostrar forças. O resultado foi exagerado, muito por conta do risco corrido pelos Red Devils após a expulsão de Jonathan Evans. O que não diminui a postura dos azuis em liquidar os rivais, num jogo no qual foram melhores mesmo quando as duas equipas tinham 11 em campo. Já na segunda volta, veio a afirmação no Etihad Stadium, outra vez superiores. Desta vez, o marcador não traduziu tanto a imposição da equipa de Roberto Mancini.
O técnico

Roberto Mancini merece uma nota positiva pela época realizada. No entanto, ficou beslicada pelos problemas de liderança extra-campo. O treinador italiano teve problemas para conseguir gerir os craques egocêntricos como Balotelli e, principalmente, Tevez. Sem o argentino, possivelmente os citizens‎ não conseguiriam a recuperação final. Quando o assunto se resumiu ao que aconteceu dentro das quatro linhas, porém, o treinador teve um desempenho notável. Obviamente, algumas incoerências podem ser apontadas, como a precaução excessiva nas substituições. De resto, Mancini apresentou uma equipa bem formalizada.


A perda da hegemonia diante do Manchester City obviamente foi sentida pelo Manchester United, mesmo que as perspectivas parecessem piores em alguns momentos. Depois de um bom início de competição, incluindo o massacre sobre o Arsenal, os Red Devils receberam um choque justamente no derby. A vitória por 1-6 dos Citizens foi o ponto de viragem. A falta de forças na perseguição ao seu rival, combinada com a eliminação precoce na Liga dos Campeões, parecia determinar a derrocada do clube. Todavia, Alex Ferguson soube recuperar a motivação a partir de janeiro, chegando mesmo à liderança após a 28ª jornada. Não fossem os deslizes na recta final – ou o saldo de golos prejudicado pelo primeiro dérbi da cidade – e a taça tinha ficado em Old Trafford.

A aposta numa base jovem, que parecia dar certo num primeiro momento, não teve a evolução esperada. O único dos mais novos a terminar a época em alta foi justamente David De Gea. E, também o regresso de Paul Scholes, que já tinha abandonado o futebol, marcou uma mudança de atitude da equipa. O veterano foi um dos protagonistas do Man United, ao lado de Ashley Young e Antonio Valencia. Porém, a estrela da companhia ainda é Rooney, que passou areredado grande parte da primeira volta, mas que registaria uma média de um golo por jogo a partir de fevereiro, impulsionando a reacção dos red devils. Já na defesa, apesar de sentir a ausência de Vidic, viu Jonathan Evans surpreender positivamente na ausência do capitão.

Quanto ao Arsenal, viveu quase totalmente do desempenho de Robin van Persie. Se a equipa não foi brilhante, pelo menos os Gunners garantiram por mais um ano a presença na Liga dos Campeões, graças à grande forma do holandês. As perspectivas pareciam as negras depois das três primeiras jornadas, com os londrinos em lugares de descida após o massacre por 8-2 contra o Manchester United. A situação só alterou a partir da oitava jornada, com sete triunfos em oito jogos e o ingresso no Top Four, e onde conseguiu permanecer mesmo com os tropeços consecutivos nas últimas jornadas.


No Chelsea, André Villas-Boas reuniu as melhores expectativas no início da termporada, mas não conseguiu dar consistência à equipa e acabou despedido por Abramovich‎ em março, fora do Top Four na liga inglesa e virtualmente eliminado pelo Nápoles na Liga dos Campeões. Então o treinador adjunto, Di Matteo pegou na equipa, solucionando uma fragilidade defensiva que parecia crónica e explorou o potencial dos veteranos. A situação na Premier League não melhorou, mas o clube conquistou os títulos da Taça de Inglaterra e da Champions League.

A mudança táctica para o esquema 4-2-3-1 também proporcionou uma transformação no estilo de jogo. Abandonaram o pedido persistente de André Villas-Boas pela posse de bola, dando espaço à objectividade e empenho defensivo. Ramires e Fernando Torres evoluíram com Di Matteo, enquanto Ashley Cole e Lampard recuperaram o brilho de outros tempos. Entretanto, os maiores beneficiados foram Drogba e Cech, protagonistas dos feitos em Barcelona e na final do Allianz Arena. E, ainda que a recuperação da velha-guarda tenha dado certo, a glória teve um custo elevado. Mesmo sem ter feito as megalomanias de outros anos, Abramovich, ainda assim foi quem gastou mais em transferências no futebol inglês.

O Newcastle, outrora apelidada de "os artistas", a equipa do Nordeste do país reinventou-se uma vez mais sob o comando de Alan Pardew, que se tornou apenas no segundo inglês a ser eleito Treinador do Ano desde a criação da Premier League. Meticulosamente bem-organizado e difícil de bater, o Newcastle também mostrou talento suficiente e contou com o instinto predador de Demba Ba, que marcou 16 golos no campeonato, e do seu compatriota Demba Cissé, que manteve a veia goleadora após a sua chegada, em Janeiro, ajudando os "magpies" a terminarem no quinto lugar. Uma palavra de elogio também para o Swansea City, cuja abordagem desinibida e reputação de praticar um futebol paciente garantiu a manutenção e estabeleceu um novo precedente para as equipas promovidas.

Despromovidos: Bolton, Blackburn Rovers, Wolverhampton Wanderers
Promovidos: Reading, Southampton, West Ham United

Filme da última jornada da Liga Inglesa 2011/2012


Melhores momentos da Liga Inglesa 2011/2012


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